Ele foi considerado a última voz de uma das maiores bandas de rock de todos os tempos, o Genesis. Em 1998 ele aceitou o desafio de substituir Phil Collins nos vocais. Estamos falando de Ray Wilson que aceitou o nosso convite para uma entrevista exclusiva.

Aqui ele fala de seu novo projeto-solo com releituras em estilo clássico dos sucessos do Genesis, revela momentos que teve ao lado de Tony Banks e Mike Rutherford e de sua passagem pelo Brasil em 2005. Vamos conferir:

Marcelo de Assis: Ray, você está atualmente em turnê pela Europa. Como tem sido os shows?

Ray Wilson: Eu me apresentei durante muitos anos na Europa e eu tenho um grande público aqui. Muitos fãs dedicados. Eu realmente gosto das turnês, e é por isso que eu excursiono com tanta frequência.

Marcelo de Assis: Seu último álbum Ray Wilson and The Berlin Symphony Ensemble apresenta a leitura de vários hits do Gênesis e até de Phil Collins com a música clássica. Conte-nos sobre este projeto e como surgiu esta idéia…

Ray Wilson: É óbvio que existem muitas grandes canções do Genesis como um todo, incluindo as canções da carreira-solo de Phil, Peter (Gabriel) e Mike Rutherford. Eu decidi fazer um show clássico, que inclui minhas músicas favoritas da banda, as carreiras-solo e a minha própria música. O show é de duas horas e meia de duração, para que ele realmente se beneficie de grandes canções de todos esses grandes artistas.

Marcelo de Assis: Você ouve música clássica?

Ray Wilson: Não, realmente. Hoje eu moro na Polônia, a casa de Chopin, então, eu passei a ouvi-lo mais vezes, embora eu seja um cara “Rock´n´roll” (risos)

Marcelo de Assis: Ray, quais foram as suas maiores influências musicais?

Ray Wilson: Desde muito cedo, David Bowie, Rush, AC/DC e também bandas como Live, Pearl Jam, Ryan Adams, Bruce Springsteen, Neil Young e assim por diante…

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Marcelo de Assis: Ray, como surgiu o convite para fazer parte do Genesis? E qual foi a sua reação ao conquistar esta oportunidade?

Ray Wilson: Minha banda Stiltskin estava indo muito bem na metade dos anos 90. Nós assinamos um contrato com a Virgin Records ao mesmo tempo em que o Genesis assinou. Quando o Phil saiu, eles me chamaram para substitui-lo como cantor e compositor.

Marcelo de Assis: Mas chegou a ser cogitado de que a banda não se chamaria Genesis, já que Daryl Stuermer e Chester Thompson não continuariam como membros?

Ray Wilson: Daryl e Chester eram apenas uma parte da banda ao vivo. Eles nunca foram membros do Genesis. Ambos são grandes músicos…

Marcelo de Assis: E como era seu relacionamento com Tony Banks e Mike Rutherford no estúdio? Como foi essa adaptação do seu estilo musical com o deles?

Ray Wilson: Foi um pouco confuso no início. Eles são muito mais velhos do que eu, então eu basicamente seguia seus exemplos. Quando começamos a turnê, o equilíbrio ficou deslocado, porque, sendo o homem de frente, eles confiaram em mim para pfazer um bom trabalho. Eu sempre gostei de trabalhar com eles. São pessoas talentosas.

Marcelo de Assis: Ray, como você se sentiu com a responsalbilidade de substituir Phil Collins no Genesis. Do ponto de vista emocional, você se preparou para uma inevitável pressão dos fãs e da imprensa?

Ray Wilson: Foi muito divertido. Um grande desafio, mas divertido. Era sempre um prazer cantar as grandes canções do Genesis e também escrevê-las com a banda. Eu nunca me senti intimidado pela tarefa.

Marcelo de Assis: Você sempre foi um fã do Genesis?

Ray Wilson: Eu era mais fã do Peter Gabriel, mas, sim, eu gostava da banda. Trick Of Tail é meu álbum favorito.

Marcelo de Assis: Ray, você pode definir como a musicalidade do Genesis acrescentou em sua carreira?

Ray Wilson: É difícil dizer… Talvez seja empregada na minha música como um pouco menos nervosa. O Stiltskin tinha um som grunge e depois do Genesis, a minha música mudou.

Marcelo de Assis: Antes de iniciar seu trabalho no Gênesis, você chegou a falar com o Phil Collins?

Ray Wilson: Só por telefone. Acho que o Phil estava desapontado porque o Genesis continuou sem ele, mesmo que ele tivesse entendido o porquê disso. Genesis era uma grande parte de sua vida e eu entendo isso.

Marcelo de Assis: Calling All Stations foi um grande trabalho do Genesis que teve grande aceitação do público na Europa, foi bem recebido pela crítica, mas a aceitação no mercado norte-americano não foi o esperado. Analisando as duas circunstâncias, a que conclusão você chegaria, hoje, depois de quatorze anos?

Ray Wilson: Tudo aconteceu tão depressa. Eu não prestei muita atenção ao mercado. Olhando para trás acho que fizemos um bom álbum e a turnê deveria ter continuado com certeza. Recebo muitos e-mails de fãs dos EUA, então eu acho que foi mais uma questão de marketing. Phil também estava se tornando bem menos sucedido como um artista-solo nos EUA naquela época. Eu acho que nós também pagamos por um preço devido a isso.

Marcelo de Assis: Qual foi sua inspiração para escrever Not About Us ?

Ray Wilson: É basicamente uma canção sobre não pensar apenas em seus próprios problemas o tempo todo. Sempre haverá alguem com problemas maiores que você.

Marcelo de Assis: Você esteve no Brasil em 2005. Qual foi a impressão que você teve dos fãs brasileiros?

Ray Wilson: Eles conhecem sua música. Parecem ser muito honestos com os seus sentimentos. Eu gostaria de voltar com a minha nova banda. Seria muito divertido.

Marcelo de Assis: Você conhece a música brasileira?

Ray Wilson: Não muito, infelizmente…

Marcelo de Assis: Não seria um grande momento para você anunciar um retorno ao nosso país em breve?

Ray Wilson: Bem, eu devo me apresentar no Chile e na Argentina em julho deste ano, então, eu espero me apresentar novamente no Brasil. Eu gostaria muito.

Marcelo de Assis: Ray, muito obrigado pela sua entrevista e pela sua grande contribuição para o rock, que você faz com maestria!

Ray Wilson: O prazer é todo meu, Marcelo! Muitas felicidades para você e aos seus leitores!