Acorda, mercado musical !!!

Ando achando que a “erudita” indústria da boa música não entende nada do mercado musical e não consegue reconhecer o talento e a eficiência que gêneros mais populares têm quanto ao quesito: “vender o peixe”.

Tomemos estilos como rock, jazz, blues, soul e o funk original (não vou tanger a música erudita): Obviamente que em todos eles existem os mestres inigualáveis, àqueles que serão reverenciados eternamente (assim como o sertanejo têm os virtuosos da viola), mas guardando esses distintos artistas à parte; essa indústria produz, mas não se renova!

Ou seja: Há inúmeros trabalhos novos saindo e os veículos (assim como boa parte do público) não absorvem esses lançamentos.

Ocorre que frequentemente as emissoras dedicadas aos estilos musicais anteriormente mencionados, apenas tocam as mesmas músicas de sempre, o que (ao meu ver) incorre na saturação de um público que já vem diminuindo a cada ano, por um motivo mais do óbvio: ninguém consegue ouvir a mesma música sempre e não enjoar.

Sim, clássicos como The Wall (do Pink Floyd), All of Me (de Gerald Marks and Seymour Simons), Sweet Home Chicago (do Robert Johnson) e Chain of Fools (de Don Covay, na voz de Aretha Franklin) são maravilhosos e já sugiro que os procurem na Internet, mas não é possível pautar a programação de todas as rádios culturais apenas dentro do universo musical já consagrado!

Citei propositalmente o estilo sertanejo porque ele domina o mercado musical brasileiro há mais de duas décadas, tendo surgido do regionalismo e emergido do preconceito com a música “caipira” para ganhar o status do segmento mais produtivo e lucrativo de todo o show business brasileiro! O que não quer dizer que eu esteja confundindo a “qualidade” musical com a agenda programática, produtiva e a gestão executiva mais profissional da área!

Não há dia em que não seja lançada uma música, um disco, um clipe, um sei lá o que… E a cada dois ou três meses saem novos produtos desses que já haviam realizado lançamentos anteriormente. Além disso, artistas sertanejos maiores comumente migram dos palcos para os escritórios, inaugurando produtoras, gravadoras, estúdios e outras estruturas comerciais e produtivas que ajudam a alavancar seu segmento musical.

Isso deveria ser comum nos outros segmentos também, porque (tendo vivido a década de 1980) vi o rock nacional ser a bola da vez e no meio da década de 1990 vi o axé ultrapassá-lo, depois o sertanejo emplacou e não saiu mais, apenas sendo desafiado momentaneamente pelo pagode, depois pelo forró universitário e agora pelo funk carioca.

Em todas as vezes que o sertanejo bambeou popularmente, houve uma assimilação e uma reação imediata, culminando com esse novo subgênero, o “sertanejo universitário”.

Sim, o ouvinte do que se pode chamar de “boa música” é mais seletivo e exige melhor qualidade nos elementos musicais, assim como na letra, gravação, arte gráfica, postura dos artistas e em outros fatores e aspectos, mas quero lhes dizer que isso tudo (apesar de não ser facilmente atingível) existe e tem muita gente que possui esses atributos, mas ao lançar os seus trabalhos, esbarram em comparações injustas com os grandiosos mestres e boa parte do reacionário público volta a preferir a repetição ao invés do progresso!

Apenas um aviso: Os grandes mestres estão envelhecendo e muitos deles já estão tocando na orquestra celestial! Se não dermos espaço para a renovação, vamos viver de escutar e assistir a CDs e DVDs de falecidos… Não é um pouco mórbido?! E também tem aquela máxima: “Quem vive de passado é museu!”

Respeito profundamente toda a herança musical que temos, reverencio os grandes mestres assim como os gregos o faziam com Zeus, mas precisamos de novos heróis para nos inspirar, esses que num primeiro momento são apenas humanos, depois semideuses e que dado às oportunidades que tiveram, acabam por realizar atos heroicos e também passam a brilhar no firmamento. Assim como os gregos faziam…

Que a boa música e seu público se renovem e que os profissionais desses segmentos caiam na real, de que precisam se reciclar!

Novamente findo por desejar a todos um ótimo, revigorante e muito musical final de semana; desta vez ao som da música/clipe que acabo de lançar – #Questão_de_Respeito!

P.S. Agradeço imensamente a todos que participaram das gravações da música, do coral e do clipe! Foram 114 participações ao todo e sem vocês, essa música seria apenas mais uma, mas com vocês ela é uma mensagem de todos nós!